segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Eh, rapaz! Só eu morrendo que nem Jairzinho

Agora que o "príncipe"(como Jairzinho costumava me chamar quando nos encontrávamos e eu dava reciprocidade ao tratamento) foi queimar o rabo de palha dessa galera por outras bandas, o que não vai faltar é admirador. Quantas e quantas vezes não quiseram tirar o seu programa do ar. Mesmo nessa nova emissora na qual estava lotado ultimamente. 
Eu tive a honra de trabalhar com Jairzinho. Tive a honra de conseguir trazer de volta um "levanta a bola" para contracenar com ele. O "Zé Mané" que quando da minha entrada em estúdio com a sua transmissão ao vivo ouvia:
- Teu pai tá aqui Zé Mané - o "príncipe". Vocês não sabem o orgulho que tenho de ter tido a ideia do Zé Mané baseada, lógico, no inesquecível "Migué". De ter ido a Rua Portugal e, pessoalmente, ter tirado a foto do azulejo que compõe, hoje, o seu, infelizmente, antigo cenário. De ter convencido a 9D Studio a ceder aquela foto panorâmica que emoldurava nosso(não para todos) querido apresentador durante as tardes comerciais da nossa semana.
Quantas vezes não ouvi "qui pograminha chato desse homi", "rapá num sei pruquê num tira esse programa daí, Emerson", "O Jair não deve ter um programa, para o mesmo não sair completamente do ar vamos dar um quadro durante a programação".
Rapá!!! Digo eu! A verdade é que o Jair salvou muito diretor comercial de emissora de tv e rádio. Com a sua irreverência e sem papas na língua era odiado e amado na mesma velocidade e constância do ciclo diário do nosso planeta. Ah! Demitiu outros também. Abençoado, todos caiam ao seu redor. Falo dos maus. Tenho uma imagem que não sai da minha cabeça. Jair sentado à frente do presidente da emissora pegando um "puxão de orelha" por que tinha comparado a foto de uma deputada federal, mãe de um senador, a um E.T. que caíra do disco voador. Daquele tamaninho seus pés não alcançavam o chão, as perninhas balançavam inquietas como menino que fez traquinagem na escola e está esperando o diretor. Quando o "Príncipe" me olhou foi como chegasse um professor que poderia defendê-lo da peraltisse que cometera.
Eu, professor de Jairzinho, é até um pecado essa metáfora.
Quem nunca leu um texto meu, por favor não se perca. O ponto principal mesmo é o de testemunhar que todas as pessoas, independente de classe, cor ou preferência sexual já assistiu Jairzinho, ou melhor, foi assistido de alguma forma por ele. Com consultas e cadeiras de roda, por exemplo de coragem, de loucura, de bobagem, mas ao meu ver, principalmente de perseverança. Ontem me encontrei com Keith Almeida e Oswaldo Maia em um supermercado e ouvi depoimentos incríveis. Oswaldo me confidenciou que assistia criança ao programa de Jairzinho na TV Ribamar (se ele não se engana) quando da sua chegada à São Luís.
Perseverança!! Entendem agora. Oswaldo Maia tem seus quase cinquenta anos. O que nos dá uma noção do tempo de carreira de Jair.
Nos seus causos o "príncipe" dizia que veio um diretor da Globo ao Maranhão saber quem era o único apresentador do Brasil que desbancava a Xuxa no horário matinal. Eu brincando perguntava quem era esse apresentador( "perguntava", pois ele deve ter me contado essa estória... ow! Desculpa, príncipe... História umas... sei lá quantas vezes)
Jair respondia: - Ora quem! Eu, príncipe! Só eu e Pelé fizemos a Xuxa piar.
Jair deixou órfãos muitos técnicos de tv, muitos profissionais de jornalismo, muitos donos de televisão... mas principalmente, Oliveira, seu fiel escudeiro. A mão que aparecia entregando o celular, entregando os jornais, algum recado...
Lembrando bem, já são dois ícones da televisão maranhense que essa emissora caçula enterra. O que poderia ser interpretado de forma pejorativa, não é nada, senão, respeito de continuar com profissionais que tanto significam e significaram nesse cenário.
Mas fica o alerta: CUIDADO, AMÉRICO AZEVEDO NETO! LARGA ESSA IDEIA BESTA! (rs)

Pois é. Mas chegou a hora do Príncipe desencarnar... ou melhor, desencanar... ou não! Sabe-se lá o que Jairzinho vai aprontar pelas bandas de lá. Sabe-se lá se o alcance das ondas de rádio-transmissão não são ilimitadamente maiores do lado de lá. Sabe-se lá se já não tem um estúdio prontinho numa nuvem bem bacana pro príncipe aprontar das dele. Mas um pensamento vem muito à minha cabeça. Se eu conheço Jair e ele já fez a ponte com o "coisa-rúim", tenho pena dos "rabopreso", pois é agora mesmo que a palha vai queimar!

"Manda quem pode, obedece quem tem o rabo preso"

TROQUEI O JORNALISMO POR STREEP TEASE - NÃO PERCAM!!!

Quando comecei a estudar jornalismo vi o quanto tinha acertado em minha vocação. Nunca gostei de fixar "moradia" quando se trata de conhecimento. Lembro de quando tive consciência desse trânsito de experiência que a profissão poderia me conceder, ainda mais na função de repórter. Escrevi numa folha de caderno, que comprara como se eu fosse ao encontro do primeiro ano do segundo grau no Santa Teresa, um pensamento que ainda hoje me faz pensar na profissão:

"Não posso me dar ao luxo de pertencer a apenas um segmento da sociedade - vou ser jornalista". Emerson Ferreira. 2004

Pois é! JORNALISTA! Uma profissão, hoje, meio deturpada, confusa. Às vezes inerte, por muitas das vezes intérprete, mas não intérprete da realidade como deveria ser. Intérprete da vontade menor, mas que se torna maior diante de tanta desunião de classe, flagelo de vocação e coesa desinformação. 
Vocação por muitas décadas, o jornalismo, que era exercido sem precisar de um diploma, era na verdade exercido, por paixão, por convicção, por loucura, por status, mas principalmente por amor à profissão. Hoje, arrisco-me a afirmar que em alguns casos é o próprio "diploma" "quem" deturpa a profissão. "Eu sou jornalista formado, tenho diploma..." O diploma se torna personificação do talento e do próprio profissional, por isso o "quem".
Quantos depoimentos nos mostram as mãos sujas de tinta na própria adolescência, antes mesmo de sonhar em bater uma tecla da velha máquina de escrever. Mas pensando bem, o diploma pode apenas deslumbrar o estudante, o foca. O que deturpa mesmo a profissão é sua própria realidade, seu presente, seu ausente...
Eu que sonhei com os rumos que a profissão daria à minha vida, por tantos caminhos percorri que, acebei, hoje, produtor audiovisual. Se é pra seguir roteiro, ao invés de pauta, vou logo assinar como tal - produtor audiovisual. Acho que esse trecho que acabei de escrever dá até marchinha de carnaval. Ih! Continuou rimando. Mau presságio.
Se é para fazer propaganda velada com matérias jornalísticas. Se é para ditar tendências com vt's de pesquisa. Nossa! Toda vez que sai uma novidade no Jornal Hoje é gente chupando acerola, tomando soro de leite pra memória, comendo soja... E o pior, o que fazia bem há um ano, no outro é prejudicial à saúde. Vai te FU... Desculpem!
Mas é foda! 
Por isso a partir de hoje sou comunicólogo. O que vier eu estou encarando:
Roteiro para documentários, roteiro para vt's publicitários (criação e desenvolvimento)
Apresentação de programas de governo ( municipal e estadual)
Reportagens freelancer
Videos Institucionais
Direção de arte
Direção de cena
Direção de estúdio...
Só não... Streep tease. 
Aí é mais caro, meu cumpadi!
Era só pra prender a atenção de vocês.
Um abraço!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Quem dera se eu falasse o que eu penso como o Tim Maia fazia

Vou morrer com a minha personalidade, meus princípios e valores. Nunca mais vou demorar tanto, perder tanto tempo da minha vida. É tanto que lembrei:

"Cortei da minha vida o álcool, a gordura e o açúcar e em duas semanas perdi 14... dias da minha vida!" 

Gosto por demais dessa citação. Para quem não sabe é do saudoso Tim Maia. E sempre há uma discrepância se o Tim falou sete ou quatorze dias, mas foi nessa pesquisa que descobri uma "citatoteca", uma coleção de citações do Comandante da Vitória Régia. E mais do que nunca estou convencido que sempre que eu achar relevante e aproveitável, vou sim falar o que eu penso. Infelizmente para os demagogos, hipócritas, escravagistas, detre outros, para não ficar dando murro em ponto de faca e ser esteriotipado como "super- alguma coisa" ou algo no superlativo absoluto sintético (sufixo: íssimo por exemplo) vou ficar em silêncio. Como em homenagem a alguém que morreu para mim. Um minuto de silêncio para alguém que ainda fala em lavagem cerebral em pleno século XXI. Se fosse pelo menos manipulação cerebral...
Mas o que interessa aqui são as engraçadíssimas citações do TIM. Afinal a gente só pode é sorrir disso tudo:

"Com os acordes que tem em uma música do Tom Jobim dá pra fazer umas cinqüenta letras de músicas."
"Mais grave! Mais agudo! Mais eco! Mais retorno! Mais tudo!"
- Queixando-se para o técnico de som, nos shows
"Dos artistas do Rio, metade é preto que acha que é intelectual e metade é intelectual que acha que é preto."
"As pessoas costumam dizer: 'O Tim Maia reclama pra cacete', mas alguém tem de reclamar".
- Em entrevista à Revista Playboy, em julho de 1991
"Tudo é tudo e nada é nada."
" É engraçado as vezes a gente fica pensado que está amando que sendo amado, e que econtrou tudo que a vida poderia oferecer. Em cima disso a gente constroi nossos sonhos, nossos castelos e cria um mundo de encanto, onde tudo é belo, até que a mulher que a gente ama, vacila e põe tudo a perder."
"O Roberto Carlos fala com as plantas, e depois o Tim Maia que é maluco"
- Em entrevista ao programa Jô Soares Onze e Meia, em 1989
"Eu acho que qualquer experiência religiosa é prejudicial ao ser humano.".
- Documentário: Por Toda Minha Vida - Rede Globo
"Aí, madame, dando seus tirinhos, hein?".
- Durante um show na boate People, no Rio de Janeiro, para uma senhora que ia constantemente ao banheiro
"A coisa que eu mais odeio é a hipocrisia. É a mentira da mentira".
"Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita"
"Dizem que maconha vicia. Eu acho que é mentira. Tem um amigo meu que fuma há 25 anos e até hoje não é viciado"
"Eu não agüento mais a imprensa. Ela está mais preta do que marrom. Todo jornalista gostaria de ser artista, todo redator é aquele que não conseguiu ser escritor e todo mundo quer ser cantor"
"Não saio com mulheres famosas pois não pago acima da tabela"
"Se não fosse obrigado, não andaria de jeito nenhum de avião. Antigamente, eu tomava uns goles para enfrentar. Teve vôo em que, se deixassem, eu até pilotava o avião"
"Eu poderia ser ministro da Cultura, e não esses que andam por aí. Sou um músico que conhece a realidade. Eu já comi churrasquinho de gato, tomando ácido com Ki-Suco"
"O FHC seria um ótimo ministro das Comunicações, da Educação. Mas não tem experiência física nem psicológica nem espiritual para ser presidente."
"Eu sou o bispo Tim Maia e tenho meus adeptos. Chamo os ‘doidões’ para o Circo Voador e faço o meu show."
"Não fumo, não bebo e não cheiro, mas às vezes minto um pouquinho."
"Qualquer experiência religiosa é prejudicial ao ser humano. E qualquer experiência de extravaso é benéfica ao ser humano."
"Todo brasileiro deveria ter acesso a lagostas grelhadas."
"Se eu pudesse, só cantava. Quando eu páro de cantar, faço besteira."
"Quando me sinto solitário, contrato prostitutas para passar a noite e nem toco nelas."
"Com duas garrafas de uísque, canto até de manhã."
"Michael Jackson é um corruptor de menores sem-vergonha."
"Maconha não chega a ser nem um entorpecente, é um estupeficante."
"O Brasil é uma terra de mestiço pirado querendo ser puro-sangue."
"Passou de branco, preto é. Não existe este negócio de mulato. Mulato pra mim é cor de mula."
"Gosto de cantar com sentimentos. Se você não transmitir sentimento, não atinge ninguém."
"Gostaria de subir em luz."
"É só começar a fazer songbook que o cara falece. Esse negócio de biografia também é um pé na cova."
"A demagogia é a pior das mentiras, porque é uma mentira mentirosa."
"O mundo só será bom no dia que todo o dinheiro acabar. Mas que não me falte nenhum enquanto isso não acontece."
"Os meus cachorros são os meus melhores amigos."
"Tá todo mundo à vontade aí? Porque nós aqui já estamos!"
- proferida na estréia do seu show O Som e o Sonho de Tim Maia, no Teatro da Praia em Copacabana, 1971. "Estar à vontade" era um código de maconheiros na época.
"Fiz uma dieta rigorosa. Cortei álcool, gorduras e açúcar. Em duas semanas, perdi 14 dias"
- proferida em 1973, quando ousou perder peso num tratamento ‘revolucionário’ numa clínica em Bonsucesso, onde só tomava caldinhos, papas, sucos e comia folhas.
"Porra, mermão, já começou? Até na casa do governador o som é uma merda?"
- em 1976, de volta à fase soul, na festa de aniversário da filha do governador Chagas Freitas.
"O problema do gordo é que quando ele beija, não penetra. E quando penetra, não beija"
- quando passou dos três dígitos de peso, nos anos 70.
"Eu tô aqui fazendo esse show pra Brahma, mas eu gosto mesmo é de um guaraná Antarctica"
- Tim falou da então concorrente, à la Vicente Matheus, e perdeu um pacote de 60 shows que estavam sendo fechados com a cervejeira. Os shows foram para Roberto Carlos, com quem Tim brigou no começo da carreira.
"Esse cara faz esses arranjos quatro-quatro-meia e assim não dá pra cantar!"
- reclamando do arranjador argentino Miguel Cidras para Guti Carvalho, durante a gestação do disco ‘Tim Maia Disco Club’. Ele e Miguel saíram na porrada e o argentino foi despedido. Em seu lugar, entrou Lincoln Olivetti.
"Manda o povo descer que eu faço o show aqui na praça!"
- dita para Nelson Motta, por telefone, quando disse que não subiria no bondinho do Pão de Açúcar para cantar no Noites Cariocas, que estava lotado.
"O segredo do meu sucesso é o equilíbrio: metade das minhas músicas é esquenta-sovaco e a outra metade é mela-cueca"
"Esse espanhol é do ETA (Exploradores do Talento Alheio)! É um escravagista! Ele merece!"
- confabulando com Tibério Gaspar sobre uma 'operação punitiva' ao empresário Chico Recarey, dono do Scala. Num show, Tim convidou garis, mendigos, flanelinhas, garagistas e porteiros e os colocou na primeira fila.
"O meu vestido não ficou pronto."
- ironizando Gal Costa, que deu esta desculpa para não gravar com Tim o clipe de 'Um Dia de Domingo' para o Fantástico, da Rede Globo.
"Ganhar pra foder com o Tim Maia é fácil. Quero ver é dar pro Sebastião."
- comentário que fazia com os amigos, porque ele sempre se servia de prostitutas e pedia que elas só o chamassem por Sebastião. Antes, durante e depois.
"Aí pessoal, dizem que o Nelson Gonçalves parou… de fazer show em São João de Meriti, né?”
- em show no Canecão, sarcástico como nunca, sobre o veterano cantor e sua luta para vencer o vício da cocaína.
"A diferença entre eu e o Dicró é que no meu show todo mundo vai e eu não vou; no dele, ele vai, mas não vai ninguém."
- atirando no pagodeiro Dicró, que teria dado razão ao Canecão no cancelamento de um show de Tim em fins de 1986.
"Que beleza, um show de Tim Maia pelo preço de um grama de pó"
- dita na sua estréia no People.
"Uma fileirinha, dois tapinhas e duas doses. Senta o pau, Vitória Régia!"
"Édipo, você é glorioso. A Vera Fischer é a coisa mais linda do mundo!"
- elogiando Felipe Camargo, que estava com sua então mulher na platéia de um show de Tim no Hotel Nacional, 1989.
"O que nós temos de melhor no Brasil são a música, o futebol, o jogo do bicho, a batata doce e o baseado - temos que exportar isso. E ainda temos o Maguila, que vai matar o Mike Tyson. De susto, mas vai."
- em sua divertidíssima entrevista de lançamento de sua ‘candidatura’ a prefeito da Barra da Tijuca pelo PLG - Partido Liberou Geral
"Eu quero parabenizar o presidente Collor, que está fazendo a campanha 'Diga Não às Drogas'. Eu acho que é isso mesmo, deixa pra quem gosta, porque já está escasso nas bocas!" :- em 1990, no show de bossa nova na boate Un, Deux, Trois, de seu 'canalha de estimação' Chico Recarey
"Só gravei bossa nova para sacanear o João Gilberto."
"Tudo que sei sobre tóxicos aprendi nos livros."
"Então você é uma aerovelha!"
- sacaneando uma aeromoça que se recusava a lhe dar gelo para o uísque que, por conta própria, levou para uma viagem de avião. É sabido que Tim odiava andar de avião desde que em 1970 cheirou uma carreira de cocaína no banheiro de um Samurai da VASP e saiu de maca da aeronave.
"Eu gostaria de fazer uma homenagem ao meu urologista, o Dr. Edson, que me deixou ereto para o resto da vida."
- em pleno Prêmio Sharp de Música, em referência à operação que foi submetido em razão de uma infecção no saco escrotal.
"Agradeço à minha mãe, Maria Imaculada, meus sobrinhos, os padres capuchinhos e os trombadinhas da praça da Bandeira. Apesar de ter feito um comercial para a Mitsubishi, a Sharp mora no meu coração. Boa noite."
- ao receber o Prêmio Sharp de 1992.
"Ae Carlinhos escuta ae; isso que é som, vê se aprende fazer um refrão! Agora escuta o som do amor que estou fazendo com as gatinhas" [flat-flat-flat]
- Trecho da biografia de Erasmo Carlos, em ligaçao no meio da madrugada de Tim para Erasmo.


Boa leitura, hein!? Rs

terça-feira, 21 de junho de 2011

Loucura de Uma Insana Consciência

Eu me sinto tão doido
Mas tão louco,
Mas tão insano...

Tão diferente
E ao mesmo tempo
Igualmente indiferente

Inerente às vezes...

Aos vezes, aos mais
E outras aos dividendos
Divididos, às progressões 
Mandou-nos: 
"...multiplicai-vos..."

Ciência de uma religião
Réu
Culpado por simplória jurisdição
Justiça
Aglutinação por justa posição

Eu acho
Insana consciência
Tênue separação
No meio
Cultura ou paciência? 

Insana consciência,
Tênue separação
Entre cultura e minha ciência


Mais tão louco
Mais tão doido
E às vezes tão insano
Que cultuo a minha própria espiritualidade
Às vezes acho e, somente às vezes
Ter atravessado o limiar da loucura
Produto do momento que tenho plena consciência
Da minha insanidade.

Autoepitáfio

    Você não acha que, no mínimo, escrever seu próprio epitáfio é ao máximo pretensioso? Estou falando no caso descrito por alguns dicionários como "tipo de poesia, nem sempre de inscrição lapidar, que encerra um lamento pela morte de outrem, ou com notada intenção satírica, que trata de um vivo como se estivesse morto". Digo daqueles que fogem à regra, fogem do simples "Aqui jaz... bom filho... grande Pai e irmão de toda a humanidade. 0 à 33+”. Nada mais pretensioso que querer exemplificar com o suposto epitáfio do maior homem que já pisou na Terra, não é mesmo?

    Voltemos então à questão de possuir um epitáfio singular, único. Tal resultado até poderia ser obtido por uma funerária que em seu “pacote master” tivesse como um dos itens diferenciados: 6. Epitáfio inédito – pela primeira vez no cemitério da sua cidade. Mas será que o profissional incumbido de tal proeza seria capaz de apreender toda a essência que você deflagrou por toda a sua existência? Quem poderia escrever tudo de relevante como o qual gostaria de ser lembrado pela eternidade que perdure o seu jazigo? Ah! Não sei escrever! Não tenho o dom! Faça uma gravação e transcreva da melhor forma, sei lá! Mas sintetize o contexto em que você se viu verdadeiramente durante a sua passagem, passagem por canais e canais. Passagem a passagem você foi ganhando listras em sua impressão digital e, ao mesmo tempo, perdendo-as quando impressas por onde passou.

    Você pode ter ajudado uma mulher dar a luz em um beco ou ter acompanhado sua própria esposa a uma clínica para cometer um aborto. Pode ter ajudado a salvar uma vida ou ter sido complacente com um assassinato, tenha sido ele vital, moral ou espiritual. Pode ter ajudado na cura do câncer ou transmitido o vírus HIV conscientemente. Cada uma dessas situações isoladas viajou para uma parte de seu cérebro chamada hipocampo, que integrou essas percepções conforme foram ocorrendo em uma única experiência - sua experiência com aquela determinada pessoa. Os especialistas acreditam que o hipocampo, juntamente com outra parte do cérebro chamada de córtex frontal, é responsável por analisar essas diversas entradas sensoriais e decidir se vale a pena lembrar delas. O que vale ser lembrado? Somente as coisas boas? O que eu quero dizer é que no seu autoepitáfio você não tem o direito, mas o dever, a obrigação de escrever, pelo menos, dois arrependimentos. Já que todo mundo que morre vira, no mínimo, gente boa, será que não vale ser lembrado por ter se arrependido? Só sei de uma coisa, nesse registro não vale usar de eufemismos. Seja direto ao registrar erros ou arrependimentos, ou os dois simultaneamente. Ou “melhor”, somente arrependimentos, pois se tratando de erros que cometi, dentre muitos, uns com namoradas em gestações não planejadas, sou hoje pai de três filhos (cada um com uma diferente, diga-se de passagem) e não me arrependo nem por um segundo, talvez por um frame quando recebo meu contracheque.

    De outros erros me formei criança, com mais alguns cheguei à adolescência e foi nesse período que enchi minha mochila. Livrei-me de parte dela, a outra ainda que pequena, carrego até hoje na minha formação de conceitos enquanto amadureço e, sou hoje quase um homem. Assim defino por ser um conceito, ao meu ver, inalcançável nos tempos de hoje. O mesmo penso quando vejo que me formei em comunicação social e quase fui um jornalista. Jornalista, hoje em dia, sei não... Mas digo, jornalista mesmo... em seu conceito pleno, sei não... mas essa é uma outra estória.

    Acabei de falar com uma amiga e ela disse “voltemos" "é a tua cara”. Então, contrariando-a. Pois bem, lembre-se do quê estamos tratando no momento. QUE SUPER-HOMEM QUE NADA! MUITO MENOS OS RUMOS DA PROFISSÃO DE JORNALISTA! Estamos querendo escrever nosso próprio epitáfio, lembra? E que conste nele, no mínimo, dois arrependimentos. Desculpe-me os devaneios! Mas não tem como não pensar na minha trajetória também. Estou nessa. E estando nessa acabei de ter um insight. Será que se identificarmos que o texto escrito na lápide é autoria do próprio “inquilino” não daria uma dose de humildade ao propósito? O mesmo não seria mais bem quisto se quem lesse tivesse ciência do autoepitáfio? O quê vocês acham? “Aqui jaz... bom filho, amante e marido ausente... ator do pensamento da raça ariana superior... responsável pela morte de mais de dez milhões de pessoas que não se enquadravam em tal conceito (aí vêm os arrependimentos) intemente ao inverno Russo e às forças aliadas. 1889 à 1945+A. H.” Não ajudou muito esse cara aí, né? O desse aí, tenha dó!
 
    Nossa! Comecei tudo isso, pois pensei em escrever o meu. Desenvolvendo a ideia bateu um arrependimento. Nada que vá constar em minha lápide, até por que não terei uma, mas juro que esse insight de assinar como autor humildificaria os hieróglifos que vão compor a minha urna. Sim, U R N A! Quero ser cremado. Mas não quero ser jogado ao vento ou ao mar. E para achar meus restos mortais de novo? E para me juntar? E quando alguém quiser me visitar? Humpf! Pensa aí. Depois de um ano, corrente na internet pra procurar Memenso (como familiares e amigos me chamam). Quem que vai?! Rei morto, rei posto!

    Por isso, cremação e depois urninha confortável. Ser enterrado, nunca! Explico o porquê. Tem a ver com hombridade, opção sexual, reputação, e claro, medo, muito medo. Afinal, eu sou homem. Um ser de coragem é a mulher, meu irmão! Mulher é sem palavras, não dá para definir a fibra, a presença de espírito. Sim, sim, estou enrolando, mas lá vai. O medo se deve a um almoço que aconteceu em família. Eu era criança e o prato era Tatu ao Leite de Coco. Eis que ouço um sussurro depois do anúncio do “tá na mesa!.” “Vixe! Tatuuu! Pode ser Tatu Peba (em maiúsculo por que deve ser a marca do Tatu, portanto nome próprio). E Tatu Peba come defunto, continuou.” Ah! Meu irmãozinho! Não troquei quando era criança, não virei gay enquanto adolescente (nada contra, vou logo colocando aqui, pois ainda não consegui delimitar homofobismo, mas essa é outra estória)... Então, não troquei quando era criança, não virei gay na adolescência, já me embriaguei umas duas (centenas) vezes depois de velho e nada! Vão cismar de me comer depois de morto, meu cumpade! E ser comido por um Tatu. Os Mamonas Assassinas com certeza iriam se revirar no túmulo. Logo eu, desonraria os “lombálgicos” predadores da raça. A vingança dos cascudos recairia logo sobre mim. Estarás louco! Cansei de ouvir meu pai rogando uma pérola quando alguém oferecia trocar alguma coisa com ele. “Não troquei quando era criança, vou trocar depois de velho, meu filho”, diz ele até hoje. Com essa criação e com os almoços exóticos em família, só me resta providenciar uma urna bem legal que caiba, além dos meus restos mortais, aquela crônica ensaio-descritivo-crítico-dissertativo-narrativa”, porém sintética, que irá compor o meu autoepitáfio.

Autoepitáfio

Do pó eu vim, ao pó teria que retornar.
Filho abastado
de felicidade
(pensou logo em família rica)
de uma Inácia que não tratei como merecia.
(eufemismo, desculpe-me)
Mulher guerreira e acolhedora
 Desse último de um pai nem tanto
Irmão de três irmãos maravilhosos
Stela, Thiago e Abdoral Júnior.
Desse último, mais filho do quê irmão.
De todas as passagens atravessadas nessa passagem
não deixei maiores conseqüências, nem boas, nem ruins.
(eufemismo, é fogo escrever que não fez nada de relevante na vida)
Coube como uma luva nas tendências
que surgiram no meu tempo.
Enquanto pai, ausente
Enquanto presente, “paiaço”
De sorriso lindo sobrevivi
(elas que diziam)
Sempre adorei fazer rir
Boêmio por descendência
Espero que já esteja gelada
em minha ascendência.
Aos amigos faço o convite
A carne já está no fogo e
Graças à Deus não é a minha
Então não demorem
Já estou com saudade
Com pandeiro na mão
O único jeito
de deixar minha cidade
O malandro mais gente boa da Ilha de São Luís
De coração imenso
O mais conhecido
Vulgo Memenso

Emerson Ferreira Martins
Jornalista DRT OOOO931 SRTE-MA
20 de março de 1979                                24 de maio de 2011+  

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Priorizar ao Inverso

Eu queria por menos de um dia ser sua prioridade nem que fosse por uma noite inteira.

terça-feira, 30 de março de 2010

EITA!!!

Eita!
Fiquei pensando
Mesmo querendo entender
Continuo pensando

Eita!
Pode ser bom
Pode ser ruim
Mas quando eu a ouvi
Que senti
O quanto era bom

Eita! Ela falou!
Parecia uma menina
Era uma criança
Não tinha trança
Mas o cabelo negro
Não era de tinta

Eita!
Olhos castanhos
Escuro como o volume dos pêlos
Pelo ao menos não sei o que ela pensa
E o que tanto pensa
Durmo e acordo e só ela tenta

Eita!
Será uma ceita?
Será que aceita?
O meu corpo fechado
De tanto ser tachado
Nesse mundo se espreita

Eita!
Ela fala
Passos leves
Dançarina nata de uma música
Que só ela insiste em nascer

Eita!
Eu ouvi
Ouvi quando não podia
Ouvi quando não queria
Mas só ela parecia
Na festa que é a vida
Num canto sozinha
Conseguir meu acalanto

Eita!
Que palavra é essa
Que me faz perder o desencanto
Sei que na verdade
É uma mágica
É um encanto
Que infelizmente não fui pegar

Eita!
Será que um dia vai me enfeitiçar?